04 Jun

Eu ainda sou do tempo…

…em que tinha de ir às aulas, fazer os exames todos, e esforçar-me para passar de ano.

Não, não sou do tempo da PGA. Entrei para o 10º ano na altura em que a PGA acabou. Mas fiz os exames nacionais a TODAS as disciplinas. Português, Matemática, Física ou Química, Inglês, Francês, Filosofia, Psicologia, etc etc etc.

Sim, eu sou do tempo da famosa Geração Rasca. A tal que não tinha objectivos, a tal que não tinha futuro, a tal do “Não pagamos..”, a tal que queria facilitismos em tudo, e sim, a tal que mostrou o cu à Ministra da Educação, então a Manuela Ferreira Leite.

Hoje em dia é tudo mais facilitado. Há as Novas Oportunidades, há os Magalhães, os E-Escolas e E-Escolinhas, os alunos só fazem os exames que precisam, há os Maiores de 23, há um Estatuto do Aluno, há regimes de faltas simples, e infelizmente também há um cada vez maior desrespeito nas salas de aulas para com os professores.

Se no meu tempo nos arrepiávamos sempre que ouviamos falar no Conselho Directivo, hoje os alunos até se riem…

Não bastava isto, os telemóveis dentro da aula, os professores que se suicidam, as Katyzinhas deste país, os alunos a suicidarem-se, agora abro o jornal e vejo que alunos com mais de 15 anos e no 8º ano, podem passar automaticamente para 0 10º fazendo apenas alguns exames.

Ora penso eu, se estão no 8º com 15 anos, é porque chumbaram de ano. Se chumbaram de ano, ou se estão a borrifar, ou não tem as capacidades necessárias ( e quando falo em capacidades não estou a dizer que são burros, mas que não conseguem transmitir para o papel os conhecimentos – e são tantos por aí). E se não passaram de ano, não os estou a ver a fazer um exame do nível do 9º ano. Suponho então que sejam exames “especiais” (leia-se facilitados).

Não sei se sou retrógado, ou se realmente as coisas estão a caminhar para o mau sentido. Vamos ser cada vez mais um país de Doutores e Engenheiros burros como uma porta. Sim, daqueles Engenheiros com cursos tirados ao Domingo e por fax.

E ainda por cima não nos resolve os problemas. Pelos vistos, continuamos com índices de Educação bastante baixos relativamente á Europa.

Digo-vos, tivesse eu 15 anos, deixava de estudar, os meus pais eram obrigados a manter-me até aos 18, e aí entrava nas Novas Oportunidades, vinha com um computador por meia dúzia de trocos, e fazia o 12º com uma perna às costas.

Mas não, eu fiz mesmo os exames todos. Eu não podia faltar às aulas. Eu não tinha telemóvel. Eu tremia sempre que um professor levantava a voz.

Mas sim, eu era da Geração Rasca. Mas posso dizer isto: era da Geração Rasca e COM MUITO ORGULHO.

21 Jul

Facilitismo na Educação? A culpa é da comunicação social…

Escola de Vila Nova de Anha passou um aluno com nove negativas e garante que foi a melhor solução 

Negativa a Língua Portuguesa, a História e a Matemática. Negativa também a Geografia, a Físico-Química, a Educação Visual… Feitas as contas, José, chamemos-lhe assim, teve nove negativas em 14 “cadeiras”. Tem 15 anos, está no 8.º ano do ensino básico. E a escola passou-o.

Não é caso inédito, mas não deixa de ser raro, como admite Augusto Sá, director do Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, em Vila Nova de Anha, Viana do Castelo. No final do 3.º período, o conselho de turma reuniu, cada professor deu a sua nota e, no caso de José, o balanço era negativo. Augusto Sá nota, contudo, que para decidir se um aluno “passa” não basta “somar” as positivas e as negativas. “Há um percurso, há um contexto, há uma família…” E a decisão de passar José “teve em conta” tudo isso.

O professor não adianta detalhes, para preservar a identidade do jovem. Limita-se a explicar que ele é acompanhado pelos Serviços de Psicologia do agrupamento desde o 2.º ciclo, que já tinha chumbado uma vez, que vive uma situação “sócio-familiar grave” que se agravou ainda mais este ano.

A lei, continua, é clara: dá margem de manobra às escolas para avaliarem os benefícios de reter um aluno que, como é o caso, frequenta um ano intermédio (o 3.º ciclo do ensino básico só termina no 9.º ano) da escolaridade obrigatória. Independentemente do número de negativas.

Resultado: o conselho de turma entendeu que o melhor para o aluno seria transitar. E decidiu que o jovem irá frequentar no 9.º ano um curso de Educação e Formação, que o prepara para a vida activa e “que tem características especiais” – “ele tem capacidades, mas o contexto sócio-familiar não tem permitido que evolua e acreditamos que, com acompanhamento, atingirá os objectivos”, diz Augusto Sá.

Em casos destes, admite, os conselhos de turma preferem, por vezes, fazer subir administrativamente as notas dos alunos, para que na pauta do final do ano, que é pública, não apareça preto no branco uma decisão que causa estranheza na comunidade. Mas a escola decidiu assumir a decisão.

O caso foi, contudo, lido em alguns blogues de professores como um exemplo de facilitismo. “Sim, viram bem: a criatura teve 9 negativas e, mesmo assim, TRANSITOU”, lia-se no Movimento Mobilização e Unidade dos Professores.

João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (Fne), não conhece o caso, mas vai dizendo que não tem especial simpatia por uma lei que permite que um aluno passe com várias negativas. Admite, contudo, que tem de haver excepções. E dá exemplos de casos que já apareceram em conselhos de turma em que participou: “Uma separação familiar, a morte de um irmão, de um pai…”

Certo é o que diz o despacho normativo n.º 50/2005: “A retenção deve constituir uma medida pedagógica de última instância”. É essa a regra pela qual devem guiar-se as escolas. O balanço feito no mês passado sobre a forma como estão a decorrer os planos de acompanhamento destinados a alunos que ficaram retidos mostrou que mais de 40 mil foram abrangidos mas 25 por cento chumbaram ainda assim.

Lido no Público
Não sei que comentar. Não consigo comentar. Acho isto totalmente surreal. Já não bastavam os RVCC’s, em que os professores estão terminantemente proibidos de ensinar o que quer que seja aos alunos, os EFA’s que são assim algo como tirar o 12º como tirar pacotes de leite no Supermercado, agora vejo 9 negativas e passam o aluno…sendo essa a melhor solução.

Eu não quero acreditar que vivo neste país. Esta não é a minha realidade. Digam-me, por favor, que vou acordar deste pesadelo. Que futuro teremos nós? Quando esta geração for a geração que comandará Portugal?

27 Mar

Iniciativa na Educação…

Ainda dizem que os nossos alunos não tem iniciativa…

A ministra da Educação fez, esta quinta-feira à tarde, uma visita relâmpago à escola Secundária de Felgueiras, apanhando de surpresa o Conselho Executivo.

Ao avistarem a ministra, alguns alunos foram a correr a um hipermercado próximo do estabelecimento de ensino e compraram ovos, atirando-os sobre Maria de Lurdes Rodrigues. Dois alunos foram identificados pela GNR.

A ministra chegou à Escola Secundária /3 de Felgueiras, na Rua Doutor Manuel F. Sousa, cerca das 18.45 horas. O Conselho Executivo, apanhado de surpresa, recebeu a responsável do Ministério da Educação.

Fonte da escola disse ao JN que Maria de Lurdes Rodrigues pretendeu inteirar-se da situação daquele estabelecimento de ensino, frequentado por 1700 alunos, mas com capacidade para, apenas, 1150. Lotada em mais de 500 alunos, a escola existe há cerca de 19 anos e carece de obras. A Ministra mostrou-se “muito empenhada” no alargamento físico do estabelecimento de ensino e em criar melhores condições.

Após uma curta reunião com o Conselho Executivo, Maria de Lurdes Rodrigues abandonou o estabelecimento de ensino e à saída foi vaiada por dezenas de alunos que esperavam pelos transportes públicos para regressarem a casa. Enquanto a ministra estava reunida com o Conselho Executivo, alguns alunos deslocaram-se ao hipermercado “Pingo Doce” nas imediações da escola e abasteceram-se de ovos que foram atirados sobre Maria de Lurdes Rodrigues. A GNR de Felgueiras foi chamada a intervir e identificou dois alunos.

in JN

Não é de louvar que se tenham mobilizado em tão pouco tempo? Gostaria que isto fosse visto como mais uma vitória para este Ministério da Educação. Afinal, não são eles que só conseguem ver vitórias em tantos insucessos e fracassos?